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Lacoste: por que a marca abriu um café em Paris

  • Foto do escritor: Helena Dezem
    Helena Dezem
  • 16 de mar.
  • 4 min de leitura

O Café Lacoste ajuda a entender como a hospitalidade entrou na estratégia de marcas de moda.


Interior do Café Lacoste em Paris com paredes verdes, balcão de café e mesas inspiradas no universo do tênis.

Nos últimos anos, algumas marcas de moda começaram a ocupar um território que antes parecia distante do vestuário: a gastronomia. Cafés e restaurantes passaram a surgir dentro do universo de marcas conhecidas por roupas e acessórios, especialmente em cidades com forte vida cultural.


A Lacoste entrou nesse movimento no início de 2026, ao inaugurar o Café Lacoste, em Paris. O espaço não foi pensado como complemento de uma loja. Ele funciona como uma extensão do estilo de vida associado à marca ao longo de décadas.


A iniciativa revela uma mudança interessante na forma como marcas buscam se inserir na cultura urbana. Em vez de aparecer apenas no momento da compra, elas começam a ocupar situações comuns da vida na cidade.


Encontrar alguém para um café, marcar uma conversa no fim do dia ou parar no caminho entre compromissos passa a acontecer dentro do universo da marca.


Café da manhã no Café Lacoste em Paris com croissants, baguete, suco de laranja e café.

Moda entrando na hospitalidade


A decisão da Lacoste de abrir o Café Lacoste em Paris, em 2026, marca um movimento interessante dentro da trajetória recente da marca. Em vez de limitar sua presença à moda e ao varejo, a empresa passou a ocupar também o território da hospitalidade.


O projeto foi instalado na Avenue Franklin Delano Roosevelt, a poucos passos da região dos Champs-Élysées, um dos eixos comerciais mais importantes da cidade. A escolha do endereço reforça a intenção de inserir o espaço no fluxo cotidiano de Paris, frequentado tanto por moradores quanto por turistas.


Diferente de um café instalado dentro de uma loja, o Café Lacoste funciona como um espaço próprio da marca na cidade. Ele permite que a Lacoste esteja presente em um tipo de situação que não depende da compra de roupas.


A iniciativa revela uma estratégia clara. Ao criar um café, a marca passa a participar de momentos simples da vida urbana, ampliando o contato com o público para além do varejo tradicional.


Fachada do Café Lacoste em Paris com mesas externas e toldos verdes.

O Café Lacoste em Paris


O Café Lacoste foi inaugurado em fevereiro de 2026, em Paris, como o primeiro espaço permanente de hospitalidade da marca. O projeto foi desenvolvido em parceria com o Giraudi Group, grupo de restaurantes fundado por Riccardo Giraudi e responsável pela operação gastronômica do espaço.


O ambiente segue os códigos visuais da Lacoste. Tons de verde profundo, branco e terracota aparecem no espaço junto a materiais naturais e referências discretas ao universo do tênis. O resultado é um café que mistura elegância esportiva com o clima informal dos tradicionais cafés parisienses.


O cardápio também foi construído para dialogar com essa identidade. Entre as opções estão club sandwiches reinterpretados, saladas frescas e smoothies, pensados para um consumo ao longo do dia.


Nas bebidas, aparecem cafés especiais de torra artesanal e lattes com sabores como pistache e baunilha, além de uma bebida criada especialmente para o projeto, a “L’Eau de Croco”, que combina água de coco, matcha e gengibre.


Entre as sobremesas, algumas criações fazem referência direta à marca, como o doce de pistache em formato de crocodilo, que retoma o símbolo da Lacoste em versão gastronômica.


Esses elementos indicam que o espaço foi pensado como mais do que um café. O menu, a estética e o ambiente trabalham juntos para transformar a identidade da marca em uma experiência cotidiana dentro da cidade.


Vista interna do Café Lacoste em Paris com balcão de café, menu na parede e decoração verde.

Interior do Café Lacoste em Paris com prateleiras de troféus de tênis e raquetes exibidas na parede, referência à história esportiva da marca.

Por que um café faz sentido para a estratégia da Lacoste?


Abrir um café pode parecer um movimento distante do negócio principal de uma marca de moda. No caso da Lacoste, porém, a iniciativa se conecta diretamente à forma como a marca construiu sua identidade ao longo do tempo.


Desde sua origem, ligada ao tênis e à figura de René Lacoste, a marca sempre esteve associada a um estilo de vida específico, que combina esporte, elegância casual e sociabilidade. Esse universo normalmente aparece nas campanhas, nos produtos e na forma como as lojas são projetadas.


O café permite levar essa narrativa para um tipo de espaço diferente. Em vez de aparecer apenas no momento da compra, a marca passa a existir em situações simples da vida urbana, como encontrar alguém para um café ou conversar no fim do dia.


Para a Lacoste, isso amplia a forma de contato com o público. O vínculo deixa de depender exclusivamente do produto e passa a acontecer também através de um lugar que as pessoas podem frequentar.


O café, nesse sentido, funciona como uma extensão do território cultural da marca dentro da cidade.



Para Concluir


A abertura do Café Lacoste em Paris mostra como algumas marcas de moda estão ampliando sua forma de presença na cidade. Em vez de aparecer apenas no momento da compra, elas começam a ocupar espaços ligados à convivência e ao cotidiano urbano.


No caso da Lacoste, o café funciona como uma extensão coerente do universo construído pela marca ao longo de décadas. Elementos associados ao esporte, à elegância casual e à cultura francesa deixam de existir apenas em roupas e campanhas e passam a aparecer também em um lugar que pode ser frequentado.


Projetos como esse indicam uma mudança interessante na lógica das marcas. Mais do que lançar produtos, cresce o interesse em criar espaços onde as pessoas escolhem estar.


Quando isso acontece, a marca deixa de ser apenas algo que se veste e passa a fazer parte da paisagem cultural da cidade.


Imagens: Lacoste / Divulgação


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